A Digital Badging Commission do Reino Unido, convocada pela RSA e pelo Ufi VocTech Trust, publicou em outubro de 2025 seu relatório final, From skills to growth: A plan for digital badging in the UK. O documento faz três recomendações principais: incorporar os badges digitais à educação e à formação a partir dos 16 anos, criar uma carteira nacional de habilidades baseada em padrões abertos e instituir um registro para garantir a qualidade dos badges. Para os emissores, a mensagem é clara: emitir badges verificáveis, baseados em padrões e mapeados para habilidades reconhecidas.

Por que isso importa

O sistema atual de reconhecimento de habilidades do Reino Unido não está acompanhando a realidade. Milhões de pessoas desenvolvem capacidades valiosas no trabalho, no voluntariado e em cursos curtos, mas não têm como comprová-las. Os empregadores, por sua vez, têm dificuldade de enxergar além das qualificações formais ao avaliar a capacidade real de um candidato.

O resultado? Habilidades invisíveis, contratações lentas, treinamentos duplicados e uma oportunidade perdida de conectar talentos à demanda.

Embora o relatório trate do Reino Unido, esses desafios são familiares para quem trabalha com educação, associações e desenvolvimento profissional no Brasil.

Os badges digitais oferecem uma solução simples e escalável. Ao tornar habilidades verificadas visíveis online, eles ajudam as pessoas a mostrar do que são capazes e ajudam os empregadores a identificar os candidatos certos com mais rapidez.

Para mais evidências sobre habilidades e credenciais, veja nosso resumo do Human Progress Report 2025 da ETS.

As três prioridades nacionais identificadas pela comissão

O relatório pede ação urgente em três frentes:

  1. Integrar os badges digitais à educação e à formação a partir dos 16 anos
    Os badges digitais devem fazer parte do sistema britânico de aprendizagem ao longo da vida, dos Skills Bootcamps aos cursos técnicos, permitindo que os alunos mostrem habilidades técnicas e transferíveis ao lado das qualificações tradicionais. Isso ajudaria os empregadores a contratar com base em capacidades verificadas, e não apenas no nome dos cursos.

  2. Criar uma carteira nacional de habilidades com padrões abertos
    Uma "carteira de habilidades" apoiada pelo governo daria a cada cidadão um registro digital seguro de suas conquistas, como GCSEs e A-Levels (os exames britânicos do ensino médio), certificações profissionais e badges digitais, tudo em um só lugar. A interoperabilidade é essencial: a carteira precisa se conectar às carteiras digitais e plataformas existentes e ao GOV.UK One Login, o login único do governo britânico. A mochila do ganhador da Certify já oferece a cada ganhador uma carteira pessoal de credenciais que continua sendo dele depois de sair da instituição.

  3. Instituir um registro nacional para garantir a qualidade das credenciais
    A confiança é essencial. Um registro nacional garantiria que os badges atendam a padrões claros e transparentes, dando aos empregadores confiança no que eles representam e aos alunos a segurança de que suas conquistas têm valor.

O argumento econômico

A modelagem econômica da comissão, que o próprio relatório descreve como ilustrativa, impressiona. Ela estima "uma economia de mais de £100 milhões por ano apenas no NHS [o sistema público de saúde britânico], com a redução de treinamentos duplicados e do tempo de integração", e conclui que acelerar as contratações em nível nacional "poderia gerar entre £1,6 bilhão e £5,3 bilhões por ano em aumento de produtividade e redução de custos de RH" (From skills to growth, página 7).

Não se trata apenas de uma atualização técnica, mas de uma estratégia nacional de crescimento.

A visão da Certify

Na Certify, vemos os mesmos padrões entre nossos clientes de educação, capacitação profissional e desenvolvimento da força de trabalho. Quando os badges digitais são implementados com verificação robusta, analytics e engajamento dos empregadores, eles geram um ROI mensurável.

Os badges tornam a aprendizagem visível, mensurável e portátil. Eles reduzem o atrito nas contratações, motivam os alunos e conectam o investimento em treinamento diretamente aos resultados de empregabilidade.

O relatório britânico reforça o que vemos com os clientes da Certify: quando as credenciais digitais são confiáveis, integradas e orientadas por dados, elas transformam a forma como as habilidades são valorizadas e comunicadas.

Construindo confiança e escala

Para que os badges alcancem todo o seu potencial, eles precisam ser mais do que ícones decorativos. Precisam ser verificáveis, portáteis e alinhados a referenciais reconhecidos, exatamente como o relatório recomenda.

Na Certify, apoiamos os emissores na criação de badges de alta qualidade mapeados para referenciais de habilidades, garantindo que cada credencial seja transparente, comparável e significativa para os empregadores.

O momento de agir

Nas palavras da comissão, "agora é o momento de o governo agir" (página 2). Mas a ação não se limita aos formuladores de políticas públicas. Empregadores, educadores e parceiros de tecnologia podem agir agora, construindo desde a base a infraestrutura de confiança e reconhecimento.

As credenciais digitais podem unir a educação formal, a aprendizagem não formal e o desenvolvimento no trabalho em uma linguagem comum de habilidades. A base já foi lançada; o que falta agora é a adoção em escala.