Sua IES já oferece trilhas de extensão, cursos livres e atividades complementares. O problema aparece depois: o aluno recebe um PDF, guarda numa pasta e não consegue explicar a um recrutador o que aprendeu. A saída é transformar cada trilha em uma microcredencial verificável, com competências escritas na linguagem do mercado, emitida só após avaliação e pronta para ir ao LinkedIn.
O que é uma microcredencial no ensino superior?
Uma microcredencial é o registro de uma aprendizagem curta e avaliada, com competências definidas, que o aluno pode guardar e compartilhar e que qualquer pessoa pode verificar. No ensino superior, ela costuma reconhecer uma trilha de extensão, um curso livre ou um módulo que não aparece no diploma, mas tem valor para o mercado.
Na prática, a forma mais usada é o badge digital no padrão Open Badges, uma especificação aberta mantida pelo consórcio 1EdTech que define como a credencial descreve o emissor, os critérios, as competências e a forma de verificação. A especificação Open Badges 2.0 é a versão mais difundida hoje. A especificação Open Badges 3.0 alinha o padrão ao modelo de Verifiable Credentials (credenciais verificáveis) do W3C, em que a credencial carrega a assinatura digital do emissor.
A microcredencial não compete com o diploma. O diploma é o registro legal da graduação; a microcredencial mostra, em detalhe, o que o aluno sabe fazer em uma parte específica da formação.
Por que começar pelas trilhas de extensão?
Porque a extensão já é obrigatória, já tem atividades avaliáveis e já está na matriz curricular. A Resolução CNE/CES nº 7/2018 determina que as atividades de extensão componham, no mínimo, 10% da carga horária dos cursos de graduação. Ou seja, toda IES já tem trilhas prontas para virar microcredenciais.
Ao contrário de um curso novo, a trilha de extensão já tem professor responsável, carga horária, atividades com a comunidade e algum registro de participação. O que costuma faltar é traduzir esse trabalho em competências que façam sentido fora da universidade. Bem descrita, a trilha de extensão vira uma credencial que o aluno leva para a primeira entrevista de estágio.
Se a sua IES é uma universidade estadual do Paraná, onde o conselho estadual já definiu exigências próprias para a certificação, leia também Microcredenciais no Paraná: o que a certificação exige.
Como escrever as competências de uma microcredencial?
Descreva de três a cinco competências por trilha, cada uma começando com um verbo de ação e dizendo o que o aluno consegue fazer. Use as palavras que um recrutador digitaria numa busca, não o nome interno do projeto. Um bom teste: leia a competência como se fosse um requisito de vaga. Se soar estranha, reescreva.
Um exemplo com uma trilha fictícia. Em vez de "Participação no Projeto de Extensão Finanças na Comunidade, 60 h", a microcredencial descreve:
- Elaborar orçamento doméstico e de pequenos negócios
- Conduzir oficinas presenciais para público não especialista
- Analisar dados socioeconômicos de uma comunidade
- Produzir material educativo em linguagem simples
A carga horária continua na credencial, mas como informação complementar, não como título. Vale ainda conferir se as competências conversam com o perfil do egresso descrito no projeto pedagógico do curso (PPC): isso facilita a aprovação interna e mostra coerência para quem avalia o curso.
A microcredencial deve ser emitida na conclusão ou depois da avaliação?
Depois da avaliação. Frequência prova presença; a microcredencial promete competência. Defina um critério de aprovação para cada competência (um produto, uma apresentação, um relatório da atividade com a comunidade) e emita só para quem cumpriu. Os critérios ficam públicos na credencial, então quem a abre sabe exatamente o que foi exigido.
Quem participou, mas não atingiu o critério, pode receber um certificado de participação separado. Misturar os dois enfraquece a microcredencial para todos.
Se a trilha roda no Moodle, a emissão pode ser automática na conclusão da atividade de avaliação. O passo a passo está em como emitir badges digitais no Moodle. E, à medida que a IES cria mais microcredenciais, várias delas podem compor uma trilha de aprendizagem maior, com uma credencial final.
Como o aluno adiciona o badge ao LinkedIn?
Na seção "Licenças e certificados" do perfil, informando o nome da credencial, a IES como organização emissora, a data de emissão e o link da página de verificação no campo de URL da credencial. Com esse link, quem visita o perfil abre a credencial e confere emissor e critérios com um clique.
É ali que o recrutador procura: segundo o próprio LinkedIn, a rede chegou a 100 milhões de membros no Brasil em 2026, o terceiro maior mercado da plataforma no mundo.
Na prática, poucos alunos fazem isso sozinhos. O momento de agir é o e-mail de emissão: inclua as instruções nele, um vídeo curto mostrando o passo a passo e uma sugestão de texto para o aluno publicar. Peça também que ele adicione as competências da credencial à seção "Competências" do perfil, usando as mesmas palavras.
Como um recrutador confere se a microcredencial é verdadeira?
Abrindo o link da credencial. Cada badge no padrão Open Badges aponta para uma página de verificação que mostra quem emitiu, para quem, quando, com quais critérios e se a credencial continua válida. Se a IES revogar uma credencial emitida por engano, a verificação passa a mostrar isso.
A Certify emite badges no padrão Open Badges 2.0, está adotando o Open Badges 3.0 e guarda um registro de cada credencial emitida em blockchain, além da página pública de verificação. Veja como funciona a verificação em blockchain.
Do lado da IES, a confiança depende também de quem pode emitir em nome da instituição. Defina quais setores e pessoas emitem, quem aprova novos badges e como uma emissão errada é corrigida. O guia de governança de badges para instituições reguladas traz um modelo.
Por onde começar neste semestre?
Escolha uma trilha de extensão que já funciona bem, reescreva as competências com o professor responsável, defina o critério de avaliação e emita para a próxima turma. Uma trilha bem feita vira o modelo para as outras e dá à coordenação um exemplo concreto para apresentar à reitoria.
- Escolha uma trilha com turma ativa e professor engajado.
- Escreva de três a cinco competências com verbo de ação, na linguagem do mercado.
- Defina o critério de aprovação de cada competência.
- Prepare o e-mail de emissão com as instruções para o LinkedIn.
- Emita, acompanhe quantos alunos adicionaram o badge ao perfil e ajuste a próxima turma.
Quer lançar a primeira microcredencial da sua IES?
A Certify ajuda a sua equipe a transformar uma trilha de extensão em microcredencial verificável, da definição das competências à emissão.




