Se a sua universidade vai ofertar cursos de microcredenciais no Paraná, uma pergunta chega cedo: como certificar? A resposta curta é que os editais das universidades estaduais, como os da UEPG, pedem uma certificação digital que indique de 3 a 5 competências, seja emitida depois de uma avaliação e possa ser lida por sistemas e compartilhada no LinkedIn. Um badge digital no padrão Open Badges atende a esses três pontos e pode ser emitido a partir do Moodle, o ambiente que a Universidade Virtual do Paraná já usa.
O que o Paraná regulamentou sobre microcredenciais?
O Conselho Estadual de Educação do Paraná (CEE-PR) aprovou em 5 de maio de 2025 a Deliberação CEE/PR nº 01/2025, que estabelece normas para a oferta, a certificação e a creditação dos Cursos Microcredenciais nas instituições de educação superior vinculadas ao Sistema Estadual de Ensino. A norma trata a oferta como experimento e respeita a autonomia de cada instituição.
Segundo a Agência Estadual de Notícias do Paraná, o Paraná foi o primeiro estado do país a regulamentar esses cursos. A regulamentação prevê a creditação acadêmica: as microcredenciais podem ser aproveitadas em cursos de graduação, pós-graduação e extensão, conforme as diretrizes de cada universidade. As instituições também podem firmar parcerias com organizações públicas e privadas para desenvolver os conteúdos.
O caráter experimental tem um motivo. Na ata da sessão plenária que aprovou a norma, conselheiros registraram que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) não prevê cursos com o nome de microcredenciais e que o conselho só pode normatizar de forma complementar. Na prática, quem define os detalhes é cada universidade, nos seus próprios editais.
Quantos cursos de microcredenciais existem no Paraná?
Em 7 de outubro de 2026, o catálogo de microcredenciais da UVPR listava 171 cursos, com carga horária de 20, 30, 40 ou 60 horas, inscrição gratuita e cinco áreas: educação e formação continuada, empreendedorismo, gestão pública, saúde e tecnologia. Os cursos são ofertados pelas universidades estaduais e rodam no ambiente virtual da UVPR, que usa Moodle.
O programa cresceu desde o anúncio. Em maio de 2025, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) falava em uma chamada pública de R$ 2 milhões e na meta de 175 cursos no primeiro ano. Em setembro do mesmo ano, a AEN informou investimento de R$ 2,8 milhões e mais de 200 cursos nas sete universidades estaduais. O financiamento vem da Encomenda Governamental nº 004/2025 (Seti/Fundo Paraná), e cada universidade seleciona os cursos dos seus docentes por edital próprio.
O que a certificação de uma microcredencial precisa ter?
O Edital PROEX Microcredenciais 32/2026 da UEPG, de junho de 2026, lista três pressupostos para a certificação: indicar de 3 a 5 competências ou habilidades desenvolvidas, ser emitida depois de uma avaliação de aprendizagem e ter uma versão digital com tecnologia que permita localizar e dar visibilidade a essas competências. O edital cita o LinkedIn como exemplo de plataforma que busca profissionais por microcredenciais.
O mesmo edital diz que as microcredenciais podem ter a forma de insígnias ou selos (badges), associados à instituição formadora e compartilháveis no LinkedIn e nas redes sociais. Ele também recomenda relacionar as competências ao Quadro Brasileiro de Qualificações (QBQ), publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Esses pressupostos estão no edital da UEPG, e cada universidade escreve o seu. Antes de definir o formato do certificado, confira o edital e as diretrizes internas da sua instituição.
Como um badge digital atende a esses requisitos?
Um badge digital no padrão Open Badges guarda as informações da conquista como dados estruturados, e não só como texto numa imagem. Open Badges é o padrão aberto mantido pelo consórcio internacional 1EdTech para descrever quem emitiu, quem recebeu e o que foi exigido. Segundo o 1EdTech, um badge pode trazer critérios detalhados e alinhamentos a referenciais externos, e o emissor pode revogá-lo.
| O que o edital pede | Como o badge no padrão Open Badges atende |
|---|---|
| De 3 a 5 competências | Cada competência entra nos metadados do badge, como palavra-chave e como alinhamento a um referencial, por exemplo o QBQ |
| Emissão após avaliação | O campo de critérios descreve o que o aluno precisou fazer, e a emissão pode ser disparada pela conclusão do curso no Moodle |
| Versão digital que permita localizar as competências | Os dados seguem um formato aberto (JSON-LD, conforme a especificação) e ficam numa página pública de verificação, legível por pessoas e por sistemas |
| Compartilhamento no LinkedIn | O aluno adiciona a credencial ao perfil com a URL pública de verificação |
| Registro digital seguro | A página de verificação mostra emissor, data e status, e a universidade pode revogar uma credencial emitida por engano |
Um certificado em PDF pode trazer as mesmas informações por escrito, mas elas ficam presas no documento: quem recebe o arquivo não confirma a autenticidade sozinho, e nenhum sistema consegue ler as competências. É exatamente esse o ponto do terceiro pressuposto do edital.
Na Certify, cada modelo de credencial tem campos para descrição, critérios, carga horária e competências, e a emissão pode sair do Moodle pelo plugin oficial, por planilha CSV ou por API. A Certify emite hoje no padrão Open Badges 2.0 e está adotando o Open Badges 3.0.
O governo citou blockchain. Ele é obrigatório?
Não, pelo que está publicado. A AEN informa que a intenção é que as universidades adotem sistemas de registro digital seguro, usando recursos como blockchain, ou seja, blockchain aparece como exemplo de tecnologia. Os pressupostos do edital da UEPG não mencionam blockchain. O que eles pedem é uma certificação digital, emitida após avaliação, com competências que possam ser localizadas.
Para quem vai escolher a solução, a pergunta útil é outra: qualquer pessoa consegue confirmar, sem ligar para a universidade, quem emitiu a credencial, para quem, quando e se ela continua válida? Se a resposta for sim, o objetivo de autenticidade está atendido.
Para as universidades que querem atender também ao exemplo citado pelo governo, as duas coisas não se excluem. A Certify guarda um registro de cada credencial emitida em blockchain, além da página pública de verificação no padrão Open Badges. Veja como funciona a verificação em blockchain da Certify.
Como uma universidade estadual pode organizar a emissão?
O caminho mais simples é tratar a certificação como parte do desenho do curso, e não como uma etapa final. Seis passos cobrem o essencial:
- Defina as competências antes do conteúdo. Escolha de 3 a 5, descritas com verbos observáveis, e relacione-as ao QBQ quando fizer sentido.
- Escreva critérios que espelhem a avaliação. O edital da UEPG sugere atividades práticas, como estudo de caso ou projeto aplicado. O critério do badge deve descrever exatamente essa entrega.
- Emita em nome da universidade formadora. O edital associa a microcredencial à instituição que oferta o curso, e é esse nome que um recrutador precisa ver na página de verificação.
- Ligue a emissão à conclusão no Moodle. Com o acompanhamento de conclusão ativo, o aluno recebe a credencial assim que cumpre os critérios. O passo a passo para emitir badges digitais no Moodle mostra a configuração.
- Pense em trilhas desde o início. O edital da UEPG pontua propostas que se articulam a outro curso microcredencial. Trilhas de credenciais empilháveis deixam essa ligação visível para o aluno e ajudam na creditação.
- Cuide dos dados pessoais. Decida o que aparece na página pública de verificação e informe o aluno, conforme a LGPD. O guia de governança de badges para instituições reguladas detalha esse ponto.
Como as universidades estaduais são órgãos públicos, a contratação de uma plataforma segue as regras de compras públicas. O guia para escolher uma plataforma de certificados digitais reúne critérios de avaliação e cuidados para compras no setor público.
Este texto resume normas e editais públicos e não é orientação jurídica.




